quinta-feira, 11 de março de 2010

Tu estás vivo. E já devia ter chegado a esta conclusão há muito tempo.
No outro dia passei no Cais do Sodré, ao pé de um sítio onde trabalhaste. Lembro-me sempre de ti quando passo por ali, mas desta vez foi diferente, desta vez vi-te. Vi-te gordo e com cabelo castanho, como eras antes do que eu me lembro, como eras nas fotografias antigas. Vi-te a entrar apressado para o trabalho. Estavas ali. Estás aqui, comigo, sempre, de todas as formas que te consigo ver. Vives em mim e em todos os que ainda te amam. Vais viver sempre comigo, vais viver enquanto eu for viva.
Sinto-me tonta por não ter percebido antes.

Thanks, Yoda =)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Adeus, não afastes os teus olhos dos meus

Nada é eterno. Por mais que o queiramos, por mais que venhamos a acreditar num mundo cor-de-rosa em que isso acontece, é inútil iludirmo-nos. Nada é eterno.
Mais tarde ou mais cedo, de alguma forma, as pessoas saem da nossa vida ou nós saímos da vida delas, por questões geográficas, por questões de tempo ou porque simplesmente se deixam de ter coisas em comum, porque nada permanece imutável, as pessoas mudam, nós mudamos, a Terra gira e o tempo passa. Há que aproveitar o tempo que temos com quem amamos, porque hoje pode bem ser o último dia.
Acho que aproveitei o tempo que tive contigo. Tenha ou não aproveitado já não importa muito, porque esse tempo acabou. Não compreendo porquê, mas sei, sinto que acabou e não vou lutar mais contra isso. Não vou pôr as culpas em ti, não vou correr atrás de ti, não vou querer prender-te a mim. Não. Acabou. E tenho apenas de aceitar isso. Vou ficar aqui sentada na estação a ver-te ir embora, a correres para apanhar o teu comboio para a felicidade e vou esforçar-me para não chorar. Vou ficar feliz por ti e vou deixar-te ir; dizem por aí que é isso que se faz quando se ama alguém.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Há dias em que acordo e o mundo não está cinzento, o sol bate-me na face e aquece-me, espreguiço-me e quero levantar-me, quero sair da cama para ver o que está lá fora, aproveitar cada raio de sol, cada cor, cada cheiro, cada som. Nestes dias apercebo-me que nos outros dias, a maior parte dos dias para ser sincera, ando tão absorvida nos problemas, nas tristezas e nas desventuras que me esqueço da bênção que é apenas estar viva. Esquecendo-me disto não desfruto de cada batimento cardíaco, de cada golfada de ar fresco, de cada pequeno pormenor que torna cada dia único, irrepetível.
Apesar de saber isto, sei também que vou voltar a acordar num dia cinzento, em que a pouca claridade que entra pela janela me vai fazer esconder debaixo do edredon e não vou querer sair da cama, não vou querer sair e ver tudo o que há de feio no mundo, de triste, de cruel.
Porque é que não consigo ter um meio termo entre os dois?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Recordar é viver

Às vezes ainda me ocorrem coisas idiotas que disseste numa ocasião qualquer e não consigo deixar de sorrir.
Tu sentado à mesa de poker, de fato, chapéu de lado (assim à gangster) e charuto na mão. E eu sentada no teu colo, com o meu vestido branco às bolinhas pretas, a lançar olhares aos outros jogadores e a segredar-te coisas ao ouvido que te faziam rir. Tudo isto uma táctica para distrair toda a gente e sairmos do casino com uma batelada de dinheiro.
Pode não ter sido bem assim que o disseste, mas foi esta a imagem que guardei. Como é possível não sorrir a estes pensamentos?
Disseste-me uma vez que recordar é viver (ainda tenho isso escrito para aqui em qualquer lado...). Fico feliz por ser capaz de te recordar com ternura, em vez de rancor, por te desejar bem, por não lamentar que o meu caminho se tenha cruzado com o teu.
Disse muitas vezes a mim própria e aos outros que já não te amo. Estava zangada, não é verdade. Sabes que para mim quando se ama, ama-se para sempre, mesmo quando as pessoas deixam de fazer parte da nossa vida, mesmo quando já não as queremos por perto. Amo-te e amar-te-ei sempre, e ainda bem, significa que a tua passagem não me mudou, não me destruiu. Continuo a ser quem sou e quem eu sou recordar-te-á sempre com ternura e terá sempre a porta aberta para quando precisares.