terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Mau dia



As ondas vêm lamber a areia devagar e quase que sinto o sal arranhar-me as feridas. O céu, de tão escuro, ameaça cair sobre a minha cabeça. A areia está molhada e não corre por entre os meus dedos. Está vento e frio e não tenho onde me abrigar. Hoje até a praia se virou contra mim.

Onde estás?

Vem, vem tu lamber as minhas feridas. Vem esconder-me dentro de ti para que não me caia o céu na cabeça, para me proteger do vento e do frio. Vem dizer-me que é mentira, que está tudo bem. Vem amar-me por uma eternidade.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

In my skin


There I go again, pretending to be someone I'm not. I shouldn't have to be nothing else but ME, but I can't stop! It's just never enough...

Fuck it. Here's the truth:

I'm not a happy person.

I cry, a lot.

I bite my nails and I don't want to stop.

I hate myself, I always have, and I don't expect you to understand.

I do whatever I want.

When you think you've figured it out, love, I'm way ahead.

I'm addicted to romance.

I'm a perverted bitch.

I'll get into you like noone ever did.

That's it, that's who I am. The saddest little girl you've ever met.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Nascer outra vez


Está frio. Chove, ainda. Porquê?

Por esta altura, era suposto ter parado de chover, era suposto ter um céu azul por cima da cabeça e ter o calor do Sol a preencher cada partícula do meu ser. Era suposto estar em paz.

Terei feito tudo ao contrário? Terei feito, para variar, as escolhas erradas? Se assim foi, de que me adianta pensar nisso? O mal já está feito. Resta-me esperar que toda esta chuva me lave a alma, que faça de mim o que eu quero ser, em vez daquilo que sou, e que, então, coberta de orvalho e envolvida no cheiro do amanhecer, renascida de esperança, possa tentar de novo, fazer tudo outra vez e acertar, de uma vez por todas.

domingo, 30 de dezembro de 2007

"The Incredible Journey"



Há quem diga que parece que foi ontem. A mim parece-me um passado longínquo, parece-me algo que aconteceu há muito tempo atrás, uma história que li num livro e que sei de cor. É uma história que conto "over and over again", com a leveza de quem conta uma história que não é sua, porque é tão surreal hoje quanto foi então, que tudo tenha realmente acontecido. É uma história cujo final reinvento, tirando novas conclusões de cada vez que o faço, como se lesse um mesmo livro em diferentes fases da vida e encontrasse algo novo a cada nova leitura.

Lembra-me aquela história dos dois cães e do gato que andavam à procura do caminho de volta para casa, só que no fim, quando o cão mais velho cai no buraco, os companheiros não o conseguem salvar.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

"How to save a life"


Entro e fecho a porta.

Silêncio.

Nunca tivemos este silêncio. Nunca te vi tão cansado.

Porquê?

Finalmente falas, pausadamente, coisas que não compreendo.

O tempo pára, por uma eternidade.

Pânico.

Sei o que estás a dizer e não quero ouvir.

Rejeição.

Calma. A tua. Constante.

Pânico. O meu. Crescente.

A viagem termina.

Ainda incrédula, despeço-me de ti.

Como se nada fosse, volto à realidade, para um dia me arrepender.

"...and I would have stayed up with you all night, had I known how to save a life."