sábado, 6 de fevereiro de 2010

Há dias em que acordo e o mundo não está cinzento, o sol bate-me na face e aquece-me, espreguiço-me e quero levantar-me, quero sair da cama para ver o que está lá fora, aproveitar cada raio de sol, cada cor, cada cheiro, cada som. Nestes dias apercebo-me que nos outros dias, a maior parte dos dias para ser sincera, ando tão absorvida nos problemas, nas tristezas e nas desventuras que me esqueço da bênção que é apenas estar viva. Esquecendo-me disto não desfruto de cada batimento cardíaco, de cada golfada de ar fresco, de cada pequeno pormenor que torna cada dia único, irrepetível.
Apesar de saber isto, sei também que vou voltar a acordar num dia cinzento, em que a pouca claridade que entra pela janela me vai fazer esconder debaixo do edredon e não vou querer sair da cama, não vou querer sair e ver tudo o que há de feio no mundo, de triste, de cruel.
Porque é que não consigo ter um meio termo entre os dois?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Recordar é viver

Às vezes ainda me ocorrem coisas idiotas que disseste numa ocasião qualquer e não consigo deixar de sorrir.
Tu sentado à mesa de poker, de fato, chapéu de lado (assim à gangster) e charuto na mão. E eu sentada no teu colo, com o meu vestido branco às bolinhas pretas, a lançar olhares aos outros jogadores e a segredar-te coisas ao ouvido que te faziam rir. Tudo isto uma táctica para distrair toda a gente e sairmos do casino com uma batelada de dinheiro.
Pode não ter sido bem assim que o disseste, mas foi esta a imagem que guardei. Como é possível não sorrir a estes pensamentos?
Disseste-me uma vez que recordar é viver (ainda tenho isso escrito para aqui em qualquer lado...). Fico feliz por ser capaz de te recordar com ternura, em vez de rancor, por te desejar bem, por não lamentar que o meu caminho se tenha cruzado com o teu.
Disse muitas vezes a mim própria e aos outros que já não te amo. Estava zangada, não é verdade. Sabes que para mim quando se ama, ama-se para sempre, mesmo quando as pessoas deixam de fazer parte da nossa vida, mesmo quando já não as queremos por perto. Amo-te e amar-te-ei sempre, e ainda bem, significa que a tua passagem não me mudou, não me destruiu. Continuo a ser quem sou e quem eu sou recordar-te-á sempre com ternura e terá sempre a porta aberta para quando precisares.

domingo, 13 de dezembro de 2009


Não estou apaixonada por ti, nunca achei que estivesse. Amo-te, sim... Acho que já to disse, espero tê-lo dito, para que não tenhas dúvidas disso, para que o sintas em cada fibra do teu ser quando eu for embora. Sim, eu sei que sempre disse que ias ser tu a partir, mas agora sei que estava enganada. Amo-te, amo-te mesmo, como se ama alguém do próprio sangue, como se ama alguém que se conheceu toda a vida, mas por mais que compare e tente nomear isto, não há comparação possível, não há nome que defina o que és para mim.
Eu sei, eu sei que te implorei para nunca ires embora, sei que sempre disse que não queria separar-me de ti e sei que lutaste muito para ficar, mas... não sei se eu consigo ficar. Cheguei à conclusão que não há definição para isto que sinto e que não existe um lugar no mundo material, no mundo real para nós. Por isso penso em ir embora e levar-te comigo para onde for, numa viagem de mão dada contigo, perder-me naqueles momentos que só tu e eu compreendemos, como noutro tempo que agora não passa de um sonho.
Já te disse que te amo?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Outra vida

Outro dia fui mexer num caderno antigo e dei com estes textos que escrevi noutro tempo, noutra vida. Agora já não têm significado, tiveram um dia, para outra pessoa, para alguém que fui e tive de deixar de ser. Mesmo assim, continuam a ser bonitos e hão-de ter algum significado para alguém, espero eu. Por isso, ficam aqui os dois de que mais gosto, de entre os pedaços de memórias que encontrei.
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Lembro-me do teu ar de criança reguila quando disseste aquilo, como quem pede aos pais algo que não sabe se deve pedir. Senti-me tão frustrada! Mas só me conseguia rir, rir e gostar de ti um pouco mais. E sempre foi assim, desde o início. Cativou-me o teu sorriso e o teu olhar de menino, a tua voz meiga, todas as parvoíces que me fizeram rir em passeios perdidos em tardes quentes e em telefonemas depois da meia noite. Não sei explicar porquê, mas há algo em ti que me cativa, que me prende, que me faz ficar, mesmo quando penso em ir embora. Pertenço-te desde que me deixaste ver a superfície do teu ser. Pertencer-te-ei até chegar a altura de te deixar partir, porque as maravilhas do mundo não são de ninguém.
13/10/2008

Não temos menos um do outro do que tínhamos antes. Não temos é mais, e eu acho que mereço mais. Quero dizer-te isto, mas sempre que estás aqui só consigo pensar em ter-te. É quando vais embora que tudo volta, as dúvidas, as inseguranças, as coisas que as pessoas me dizem, que todas as pessoas me dizem, e que eu sinto. Mas tu chegas e é tão bom... Chegas e fico embriagada pela tua presença. Quero dizer-te, quero que saibas o quanto isto me dói, mas o teu riso de cascata a cair no rio, os teus olhos, estrelas azuis, fazem-me esquecer a dor e eu não digo nada, amor, não consigo dizer nada. Só te quero ter aqui, volta para mim, tira-me a dor.
24/10/2008

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Há dias assim

Hoje sinto um vazio na alma, um tipo de tristeza que se apodera de mim às vezes e que normalmente antecede uma mudança. Mudança na minha maneira de ver o mundo. Procuro pelo vazio, tento descobrir onde dói, procuro pela ferida e não encontro. Descubro que o vazio toma conta de mim, que dói em todo o lado, que toda a carne do meu corpo está dilacerada. E não há nada que eu possa fazer. Não há nada que eu possa fazer, está fora do meu controlo. Apenas sei que há dias assim, dias escuros, dias em que só quero esconder-me, enfiar-me debaixo dos lençóis e deixar que o mundo se esqueça de mim, esquecer-me eu de mim. Mas também há dias bons, claros, lindos, dias em que me apetece sorrir, dias em que quero viver. Por isso agora vou dormir, deixar que a noite me venha lamber as feridas e esperar que amanhã não doa tanto, esperar que amanhã consiga respirar, esperar que amanhã a nuvem negra que paira por cima da minha cabeça já tenha desparecido.
Tenho saudades tuas todos os dias e já me devia ter habituado, já passou tanto tempo... Mas há dias em que não aguento. Há dias assim.