terça-feira, 20 de outubro de 2009


Hoje chove imenso. Não me importa muito. Apetece-me sair e molhar-me. Apetece-me ir até à praia, sentar-me na areia molhada, estar comigo e com o mundo, fazer as pazes com as coisas, deixar partir os fantasmas de tudo o que já foi e encontrar o presente, o hoje, o agora, nesta chuva revigorante. Olhar para o mar, para o horizonte e ver as possibilidades, os sonhos que entretanto esqueci e fazer de hoje o primeiro dia do resto da minha vida. Apetece-me sentir o prazer de estar viva, saber a dádiva que é cada dia que me resta viver. Hoje apetece-me ser feliz.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Comboios


A metáfora de que a vida é um comboio encaixa na perfeição. O problema é que eu não estou no comboio, continuo na estação, sentada num banco a ver os comboios a passar. Olho pelas janelas, no interior pessoas riem e choram, existe toda uma diversidade de emoções, é tudo tão colorido e quente... mas eu não posso entrar, não pertenço ali. Quando os comboios param e as portas se abrem, espreito à porta, ouço a música e as gargalhadas, mas não consigo entrar, não posso ficar, consome-me, destrói-me tudo aquilo, tão maravilhoso. Sinto que tenho de ascender para outro plano de existência para pertencer ali e não consigo, não sou capaz, não tenho força suficiente, não tenho luz suficiente em mim. Volto cá para fora, onde chove e está frio, onde tudo é cinzento e triste. Cá fora não é assim tão mau, é o que conheço e o que sei, o pouco que sei. Talvez um dia, se fechar os olhos e quiser com muita força, consiga ascender e entrar no comboio e então serei a mais feliz lá dentro, porque sei o que está cá fora. Ou talvez exista um comboio diferente para mim, quente e colorido e cheio de emoções, onde a luz não me fere os olhos e o som das gargalhadas me é familiar, onde conseguirei entrar naturalmente, porque é ali que pertenço.

domingo, 13 de setembro de 2009

Humanos


Há momentos em que olho à volta e perco toda a esperança. As pessoas são cada vez mais egoístas, cada uma pensa em si própria e não se apercebem de que temos de pensar nas pessoas que nos rodeiam. Vivemos numa sociedade, logo temos de fazer determinadas coisas para o bem comum, temos de pensar no próximo, mas quase ninguém o faz. É rara a pessoa que pede "Com licença", empurrar é mais fácil. Poucas pessoas agradecem, ou dirigem um olhar sequer, a quem lhes segura a porta para elas passarem, preferem seguir em frente de olhos pregados no chão. Não se respeitam filas nem regras de trânsito. As pessoas sofrem de falta de educação, de civismo.
Mais grave do que não nos respeitarmos uns aos outros é a falta de respeito que temos pelos outros animais e pelo mundo que habitamos. Agimos como se tudo fosse nosso, como se tivéssemos o direito de pôr e dispôr dos recursos do planeta. Um dia, num futuro próximo, sofreremos as consequências disto e o pior é que muita gente não vai aprender nada com isso.
Nestes momentos em que contemplo a humanidade e vejo o que acabei de descrever tenho nojo da minha condição de humana, destruidora do mundo, dos outros animais e dos seus iguais.

domingo, 23 de agosto de 2009

Ainda bem que há coisas que não mudam



Ontem fui ver o David Fonseca a Cascais. Foi espectacular, único, lindo, como sempre.
Tenho de confessar que desta vez estava à espera que fosse diferente, pensava que não ia gostar tanto como das outras vezes, que ia faltar alguma coisa, mas enganei-me. Não me lembro de alguma vez ter ficado tão contente por me ter enganado. Continuo a gostar de David Fonseca sem ti ao meu lado, não olhei para o lado para ver se estavas a gostar, não procurei a tua mão com a minha, não quis o teu sorriso para cantar, não precisei do teu olhar para fazer daquela hora e meia um momento mágico. Nem sequer me lembrei de ti. As notas, as palavras, os gritos, as palmas, a presença daquele músico tão fantástico e singular fizeram-me sentir como das outras vezes. Feliz, desfrutando o momento.
O mundo não se alterou à tua passagem, eu não me alterei à tua passagem. O mundo é o mesmo e eu também. Compreender, finalmente, isto é das melhores sensações de conforto que já senti.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Quem vem comigo ver o David Fonseca?



Esta é uma das músicas mais bonitas do David. Vamos vê-lo a Cascais dia 22? Sim? =)