
Estou no limbo, à espera de uma luz, de um sinal que me guie, porque não consigo ver. Não me consigo mexer, não sei onde estou, tenho frio e quero ir para casa. Foi quando fugi a correr sem olhar para trás que me perdi assim, de ti, do mundo, de mim. E agora que não sei onde estou grito por ti, mas tu já não me consegues ouvir. Não me consegues ouvir, não porque não me queiras ouvir, mas porque não podes, porque a única pessoa que consegue ouvir os meus gritos sou eu, apenas eu sinto a pele a rasgar, as gotas de sangue a percorrer o meu corpo, a dor interminável de não saber quem sou.
Sentada no chão, com frio e sem ver um palmo à frente do nariz, tenho de ganhar equilíbrio próprio para me levantar e força própria para caminhar.

