
Quando é que se deixa de acreditar?
E como é possível deixar de o fazer?
Mesmo quando os factos apontam para tudo o que me assusta, não consigo desistir, não consigo deixar de acreditar naquilo que me tem permitido respirar, não consigo deixar tudo e fugir, quando sempre pensei que, mais tarde ou mais cedo, o faria, como sempre faço com tudo o que me aterroriza.
Desta vez quis ficar, sem saber porquê, mas quis. Quis pegar no monte de areia molhada que ficou depois da rebentação e construir outro castelo, longe do alcance da maré cheia, com torres mais altas, muralhas mais resistentes e alicerces mais seguros. Não, não sei porque fico. Sei apenas que fico sabendo que me vais fazer chorar outra vez, que vou ter de reconstruir o castelo vezes e vezes sem conta e que, um dia, muito provavelmente e, por certo, inevitavelmente, vou fugir. E tu não me vais procurar.


